quinta-feira, 29 de julho de 2010

Búzios - Vitória

Saímos de Búzios as 4 da tarde com um bom vento pela aleta de popa. Com todas as velas em cima fazíamos 6 nós. Depois de duas horas o vento começou a diminuir e então motoramos o resto da travessia, ajudados pelo vento. A noite estava clara pela lua cheia e o mar pequeno, liso e a favor, o que propiciou uma navegação maravilhosa. O mar mais parecia uma grande lagoa calma. Chegamos em Vitória por volta das 19:00hs do outro dia, deois de 27 hs, numa média excelente. Há dois anos exatamente fizemos este mesmo percurso em 33 hs. Não houve um único respingo de mar a bordo pelo vento e pequeno mar a favor, o que permitia cozinhar e descansar.
Nosso sistema de turnos era de duas horas para cada um no leme. Tirando mais algum tempo para cuidar da navegação, da comunicação entre outros veleiros e para a alimentação, acabava sobrando umas três horas para o descanso. Ainda deu para o Victor instalar um super sistema de piloto automático, um criativo e simples extensor que prendia na frente do painel de instrumentos e era atado na roda do leme. Impressionante como funcionou, mantendo o barco sempre no rumo desejado. Isto nos permitiu ter ainda mais folga na condução do barco, já que apenas de vez em quando íamos conferir a rota e ajustar eventuais desvios. Um mecanismo que tratarei de patentear.
Motim a bordo. Tivemos uma pequena revolta por parte da tripulação quando alguns pães de nossa despensa sumiram. Ninguém assumiu a culpa e uma CPI foi instalada e muito provavelmente vai acabar em pizza.

segunda-feira, 26 de julho de 2010



Valeu a espera! Foi uma navegada espetacular, com mar pequeno e a favor, ventos de fracos a moderados sempre a favor, lua quase cheia e um monte de veleiros deslizando do Rio a Búzios. O barco esteve muito estável, permitindo até cozinhar a bordo.
Bem diferente daqueles veleiros que saíram antes, impacientes que estavam no Rio. Pegaram ondas grandes e vento forte contra. As ondas varriam o convés dos barcos, um perdeu o bimini e todos sofreram muito até chegar a Búzios, levando de 18 a 30 horas nesta perna de 84 milhas. Nós levamos apenas 12 horas, numa boa média de 7 nós.
Ontem a Associação Brasileira dos Veleiros de Cruzeiro ofereceu a todos os velejadores um belo churrasco aqui na sede do Iate Clube de Búzios. A julgar pela fila que se formou para as saladas e para a carne estavam todos famintos. Agora esperamos uma janela para subir até Vitória, o que para mim é a perna mais difícil deste cruzeiro. São 190 milhas tendo pela frente o Cabo de São Tomé com seu regime de ventos de nordeste e uma forte corrente que desce a costa do Brasil. Sempre tem-se que aguardar alguma pequena janela para poder passar. As frentes frias que vem do sul normalmente dissipam-se na altura do Rio e poucas conseguem alterar este regime de ventos nesta parte da costa.
É um belo clube este aqui de Búzios, bem descontraído, boa estrutura e localizado numa excelente baía, bastante abrigado do vento nordeste. A cidade está bem movimentada, com uma festa religiosa que leva vários dias e que traz muita gente além do fluxo normal de pessoas. Várias escunas passam lotadas com alegres turistas e as ruas fervilham à noite.